quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Revisão literária atualizada - MERGULHANDO COM SEGURANÇA – PÓS COVID 19.

 



Com a retomada das Atividades de Mergulho no Brasil nesse cenário que vem se desenhando pós Covid 19, fizemos uma revisão literária de 2 artigos relevantes publicados no site “Brasil Mergulho”, o primeiro relacionado a condição e avaliação do mergulhador em si, e o segundo relacionado ao ambiente global ao qual o mergulho está envolvido, instalações, equipamentos, procedimentos e sanitizantes, assim como sua eficácia e compatibilidade com equipamentos de mergulho.

O artigo tem como proposta uma complementação de informações, devendo ser utilizado como guia para as situações citadas as recomendações oficiais disponibilizadas pela DAN/RSTC para o mergulho recreativo.

Esperamos que gostem do conteúdo e seja útil. Boa leitura a todos!   
  


Avaliação de Mergulhadores durante a COVID-19.                                                             

Guia publicado pela Universidade da Califórnia.

 

O coronavírus tornou-se uma pandemia global infectando milhões de pessoas, resultando em milhares de hospitalizações e mortes em todo o mundo.

Pesquisas examinam as origens e a estrutura do vírus, sua patogênese, condições clínicas e características agudas. No entanto, como uma pandemia nascente, as sequelas a longo prazo naqueles que sobreviveram à doença aguda, são em grande parte desconhecidas.

A infecção por COVID-19 se manifesta principalmente como pneumonia atípica, mas em casos graves, ocorrem outras complicações comuns, incluindo doença cardíaca e tromboembólica.

COVID-19 e o Mergulho.

Sabemos que a fisiopatologia da doença, é pulmonar, cardíaca e tromboembólica / hipercoagulável, sendo uma doença relevante para os mergulhadores.

Possíveis sequelas de longo prazo podem ocorrer e incluem a diminuição da tolerância ao exercício, aumento da suscetibilidade a eventos cardíacos, como insuficiência cardíaca, edema pulmonar e arritmia, alterações estruturais do pulmão, que podem levar ao aumento de risco de barotrauma e aumento risco de doença descompressiva por hipercoagulabilidade subjacente.

 

Tolerância ao Exercício.

Essa é provavelmente a definição mais importante usada em nossas diretrizes e é vital que os médicos façam a avaliação com cuidado. É nossa convicção que um mergulhador com doenças cardíacas ou pulmonares fisiopatologia não teria tolerância ao exercício normal. No entanto, a definição de palavra normal é crítica.

Primeiro, o mergulhador deve ter retornado ao seu nível básico de exercício e tolerância. Mesmo pequenos desvios em relação à linha de base (“ficando mais sem fôlego”, recuperação, etc) garante mais testes e investigação.

Segundo, o médico deve estar convicto que o regime de exercícios do mergulhador justifique um teste de esforço apropriado para mergulho.

Categoria 0 – Mergulhador assintomático sem histórico de suspeita de doença COVID-19.

Recomendamos que os mergulhadores que não tenham histórico de suspeita de doença por COVID-19 procedam com avaliações normais. Além disso, usaríamos esses critérios naqueles que podem ter tido PCR positivo ou teste de anticorpos, mas sem histórico de doença ou sintomas consistente com COVID-19.

Mergulhador Recreativo:
● Siga as diretrizes do RSTC;
● Não é necessário teste adicional.

 

Categoria 1 – Mergulhador assintomático de com doença leve suspeita de COVID-19.

Categoria 2 – Mergulhador assintomático com suspeita moderada de COVID-19.

Categoria 3 – Mergulhador assintomático com suspeita de doença grave de COVID-19.

Ver recomendações no artigo original e profissional médico responsável.

 

Mergulhadores sintomáticos ou com resultados de testes anormais.

Atualmente, não é nosso plano permitir mergulhadores sintomáticos ou com testes anormais mergulhem (embora seja necessário avaliar caso a caso e exceções são esperadas).

No entanto, não sentimos que isso represente necessariamente uma proibição de mergulhar pelo resto da vida, mas como o maior número de seqüelas atualmente desqualificantes (como CT e varreduras anormais) podem se resolver nos próximos 3-6 meses é indicado um novo teste.

Atualmente não se sabe se as seqüelas potenciais da COVID-19 se tornarão crônicas e, portanto, a reavaliação provavelmente será indicada, até que mais evidências sejam disponibilizadas.

 

Triagem de funcionários de mergulho antes do mergulho.

Hoje recomendamos que as diretrizes do CDC sejam seguidas para a triagem do mergulhador antes do mergulho e a medição dos sinais vitais ou saturação de oxigênio rotineiramente antes do mergulho estejam garantidos.

Qualquer pessoa não deve mergulhar se estiver com febre ou tiver algum dos seguintes sintomas nos últimos 14 dias:

  • Tosse
  • Falta de Ar
  • Dificuldade em respirar
  • Calafrios
  • Dores musculares
  • Perda de olfato ou paladar

Referência.

Guia publicado pela Universidade da Califórnia – San Diego Guidelines for Evaluation of Divers during COVID-19 pandemic.

 Médicos: Charlotte Sadler, MD, Miguel Alvarez Villela, MD, Karen Van Hoesen, MD, Ian Grover, MD, Tom Neuman, MD, and Peter Lindholm, MD, PhD

https://www.brasilmergulho.com/avaliacao-de-mergulhadores-durante-a-covid-19/

 

 

MERGULHANDO COM SEGURANÇA – PÓS COVID 19. 

Uma análise das práticas seguras para retomada da atividade de mergulho no Brasil.

Por: Juliano Figueiredo S. Alves, Miguel Lopes, Roberto Parola, Rogério Menezes, Vagner Marretti e Viviane Bittencourt.

 

O objetivo deste estudo é contribuir para um maior esclarecimento sobre a questão da desinfecção de equipamentos e demais protocolos de segurança para a retomada das atividades de mergulho no Brasil pós-pandemia de COVID-19.

Visando promover um consenso entre a comunidade, distribuidores de equipamentos, lojas, escolas, operadoras, oficinas e setores do mergulho de segurança pública no país, uma comissão de estudos foi criada para analisar e avaliar o impacto dos diversos produtos desinfetantes disponíveis, bem como as práticas de desinfecção recomendadas pelos fabricantes de equipamentos.

Apesar do foco principal na desinfecção de equipamentos, e suas possíveis consequências com relação à compatibilidade dos seus componentes, este artigo se destina também à prática geral de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, vivenciam a atividade de mergulho seja no ensino profissional, operação diária, turismo de lazer, ou no ambiente de segurança pública.

 

Classificação pelo Risco de Contaminação.

Inicialmente tomamos emprestado um conceito sugerido pela fabricante Aqualung / Apeks. A ideia central é que conforme a frequência e o tipo de uso o equipamento pode ser mais ou menos exposto a uma eventual contaminação pelo vírus. Adotamos este conceito por sua clareza e facilidade de compreensão. Foram definidos três níveis de risco gerais: Leve, Médio e Alto.

Tipo I (Leve).

Equipamentos próprios de uso exclusivo e pessoal do mergulhador. O risco de contaminação é considerado relativamente baixo pelo fato do equipamento pertencer ao próprio usuário. Procedimentos de transporte, limpeza, manuseio e armazenagem devem ser levados em consideração para minimizar o risco de contaminação cruzada.

 
Procedimento para Limpeza / Desinfecção:

– Lavagem rotineira conforme instruções do fabricante.

 
Tipo II (Médio).

Equipamentos próprios que eventualmente tenham sido manipulados ou utilizados por terceiros em qualquer situação, como o compartilhamento da fonte alternativa de ar ou “Octopus” – durante a simples prática de treinamento; ou até mesmo por uma inesperada “emergência de ar” com seu dupla ou membro da equipe de mergulho.

Máscara / Snorkel emprestados, roupas, e o bocal do Inflador Oral do colete equilibrador devem ter atenção sempre redobrada.

Procedimento de Limpeza / Desinfecção:

– A limpeza e higienização com produto adequado pode ser feita pelo próprio usuário, conforme instrução do fabricante.

 

Tipo III (Alto).

Foram considerados de alto risco de contaminação todos os equipamentos usados comercialmente como para aluguel em operadoras, fornecidos por escolas durante as aulas práticas dos cursos, produtos expostos para venda em lojas e show rooms permanentes, itens deixados para manutenção preventivo-corretiva no Dive Center e/ou oficinas especializadas e materiais didáticos de cursos de “Primeiros Socorros”.

Procedimento de Limpeza / Desinfecção:

Lavagem e higienização com produtos e procedimentos adequados feitos por um profissional qualificado indicado pela escola / operadora ou Dive Center.

É importante que se crie uma rotina de separação dos equipamentos em duas áreas: “contaminados” e “higienizados”. O uso de caixas plásticas com uma tampa isolante é sugerido pela fabricante italiana Mares para o acondicionamento dos produtos desinfetados.

Na parte externa das embalagens deve-se colar uma etiqueta contendo a descrição do procedimento de desinfecção adotado e o nome do produto sanitizante escolhido pelo técnico.

 

Visão do Dive Center.

Deve proceder conforme as orientações dos fabricantes dos produtos, respeitando sempre suas especificações quanto aos protocolos de desinfecção, além de seguir todas as normas e leis locais. Sempre tratar os equipamentos como Grau III (Alto Risco de Contaminação). Para limpeza geral dos ambientes, móveis, máquinas e demais equipamentos administrativos deve-se adotar os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e legislação vigente para cada situação.

Sobre as áreas e procedimentos dentro de um Dive Center:

1 – Show Room / Lojas.

·         Máscaras em exposição (Risco Grau III) – Após o cliente “experimentar” a máscara a mesma deve ser higienizada com o produto adequado conforme as recomendações dos fabricantes. Fique atento para não utilizar álcool líquido, em gel, ou algum outro produto químico que possa causar danos ao equipamento e/ou riscos de intoxicação aos clientes.

 

·         Colete Equilibrador (Risco Grau III) – Deve-se evitar o uso do Inflador oral para redução do risco de contaminação. No caso do cliente ter usado o bocal da traqueia para o enchimento do colete deve-se proceder com a higienização de todo o conjunto Inflador utilizando um produto adequado conforme recomendações dos fabricantes. É preciso atentar para não utilizar álcool líquido, na forma de gel, ou algum produto químico que possa além de danificar o equipamento trazer riscos de intoxicação aos demais clientes e funcionários da loja.

 

·         Roupas de mergulho – Apesar do menor risco de contaminação pelo vírus através do contato com tecidos porosos, já que este se adere melhor a superfícies lisas, ainda assim, é recomendado que o Dive Center tome alguns cuidados na desinfecção das roupas. Não há consenso sobre o período em que o vírus fica ativo em tecidos, mas extrapolando para os dados disponíveis em papelão, presume-se que seja em torno de 24h.
Temperatura ambiente mais alta contribui para uma eliminação mais rápida do vírus. Peças de mostruário que sejam vestidas devem ser separadas das demais e deixadas em um ambiente arejado, isolado e identificado por um período de, no mínimo, 24 horas, antes de serem liberadas para o mostruário. Como a maioria dos clientes precisa experimentar a roupa para que faça a melhor escolha, as peças podem ser contaminadas pelas mãos mal higienizadas ou gotículas provenientes do trato respiratório. As roupas alugadas e usadas em aulas de piscina ou em mergulhos devem ser lavadas com solução desinfetante ou sabão.

 

·         Equipamentos diversos (Risco Grau III) – Caso algum outro tipo de equipamento entre em contato direto com o cliente, como a pocket mask, apito, relógios, facas, computadores, etc; o mesmo deve ser a higienizado com o produto adequado conforme recomendações dos fabricantes. Deve-se ter atenção para não utilizar produtos que possam danificar os componentes, mas, além disso, trazer riscos de intoxicação aos clientes.

2 – Salas de Aula.

Pode ocorrer a contaminação de superfícies como mesas e cadeiras. O ambiente deverá ficar com as portas e janelas sempre abertas, mas o ar condicionado e ventiladores devem permanecer desligados. Evite aglomerações em refeitórios e banheiros, mantendo sempre o distanciamento interpessoal seguindo as orientações da OMS e órgãos de saúde locais. Recomenda-se evitar o manuseio pelos alunos de equipamentos que porventura sejam apresentados pelo instrutor para demonstração em classe (apenas o instrutor deverá tocar nos equipamentos).

Caso isto seja necessário, todos deverão fazer a higienização pessoal antes do contato com os produtos, e, após o termino da aula os equipamentos utilizados deverão ser separados dos demais e isolados em local apropriado para a devida limpeza / higienização.

3 – Áreas de Recarga.

Segundo GRESHAM (2020), durante o manuseio de válvulas deve-se adotar as melhores práticas sugeridas pela marca PSI-PCI como, por exemplo, tomar o cuidado no transporte, quando feito pelo método mais usual, mantendo o orifício de saída de ar da torneira voltado para “fora da palma da mão” a fim de se evitar uma possível infecção. Segundo o mesmo estudo supracitado, apesar do baixo risco de contaminação do ar comprimido durante o processo de recarga, devido às altas temperaturas atingidas no último estágio do processo de compressão (160ºC  o vírus se tornaria inviável.

Estudos recentes demonstram que sua proteína é totalmente desnaturada a uma temperatura de 55ºC por um período de 10min. Ainda assim, o técnico responsável precisará sempre se atentar para localização da tomada de ar do compressor – esta deve ficar em local arejado e de preferência ao “ar livre”, longe de descargas de automóveis e outros possíveis agentes contaminantes. É também importante criar uma rotina de manutenção e efetuar a troca regular dos elementos filtrantes.

Almoxarifado / Sala de Equipamentos / Reserva de Material.

Todos os procedimentos da OMS e órgãos de saúde locais devem ser seguidos para se evitar a contaminação do ambiente. Os equipamentos de aluguel possuem um risco elevado (Grau III), e, portanto, é mister adotar os protocolos de desinfecção conforme orientações dos fabricantes.

Durante o processo de separação dos materiais antes / depois do uso reserve um local separado para os itens contaminados afastado dos demais ou já desinfetados, usando caixas plásticas com tampas de isolamento. Recomenda-se utilizar uma etiqueta externa descrevendo o método de desinfecção e produto utilizado no processo. Crie também uma rotina de “barreiras” para restringir a entrada de pessoas não autorizadas buscando-se evitar aglomerações indevidas e o aumento do risco de contaminação do ambiente.

Os profissionais autorizados devem usar máscara facial e manter a higienização adequada das mãos para manuseio dos equipamentos de operação.

4 – Piscinas.

Risco de contaminação das bordas e superfície externas. Adote os procedimentos da OMS e órgãos de saúde locais para limpeza de áreas e ambientes de uso comum. Durante as aulas práticas o instrutor e seus alunos devem observar o distanciamento social, mesmo que na água, mantendo sempre que possível a máscara de mergulho no rosto e o regulador na boca. O uso da máscara de proteção individual deve ser mantido dentro das áreas fechadas do estabelecimento e a higienização das mãos precisa ser feita constantemente.

Recomenda-se evitar o contato desnecessário dos equipamentos com os clientes / alunos. Procure manter os materiais em caixas plásticas com tampa antes e após o uso, separadas com etiquetas de contaminado / higienizados. Caso o aluno / instrutor venha a utilizar o mesmo equipamento numa sequência programada de aulas crie um protocolo de isolamento dos itens em caixas exclusivas para cada indivíduo, onde somente este terá acesso e poderá manuseá-los. Por fim, o profissional responsável pela organização do material de uso comum e cuidados com a piscina deve também seguir todos os protocolos de higienização e distanciamento social.

 

Visão do Usuário Final / Mergulhador.

Para a DAN Brasil, “algumas regras básicas se aplicam a todos, incluindo funcionários e clientes, independentemente da atividade”. (DAN, 2020).

Como ficou demonstrado no tópico anterior o usuário final/mergulhador pelo relativo baixo risco de contaminação do seu próprio material deverá proceder com a lavagem e secagem como de costume e indicado nos manuais técnicos dos fabricantes. Deve-se ficar atento para que terceiros não tenham acesso ao seu equipamento; e/ou que estes (equipamentos) fiquem misturados com outros – podendo neste caso ocorrer à contaminação cruzada pelo vírus. Sugerimos também que a limpeza e guarda dos materiais sejam feitas de acordo com as orientações do seu Instrutor ou Dive Center.

De maneira geral procure sempre armazená-los totalmente secos em local protegido do Sol e ventilado. O uso de caixas e bolsas estanques protege contra uma eventual entrada de certos animais e/ou sujeira. Neste caso deve-se ter cuidado ao tocar na área externa da bolsa ou recipiente, mas não há risco de contaminação interna pelo fato dos itens estarem isolados em embalagens hermeticamente fechadas.

 

Análise dos Produtos Desinfetantes / Sanitizantes.

Água e Sabão.

É o agente mais fácil de usar, barato e eficiente contra o SARS-CoV-2. Geralmente é a primeira opção, porém, necessita de ação mecânica para ser eficaz. Existe a dificuldade na utilização em certos equipamentos de mergulho pela necessidade de se esfregar o local para neutralizar a ação do vírus; mas também é preciso manter 20 segundos para que o sabão possa agir sobre a superfície do material componente.

Assim, dentro das partes internas de alguns destes equipamentos nem sempre será possível fazer a aplicação correta do sabão. Necessário o enxágue após a utilização do produto.

Álcool.

De acordo com a DAN e CDC, para o combate ao vírus uma solução de álcool isopropílico a pelo menos 60% pode ser utilizado para limpeza das mãos; e o etanol a pelo menos 70% pode ser usado para limpeza de superfícies. O uso repetitivo de álcool pode causar danos em certos tipos de materiais como plásticos, silicone e borrachas, causando seu endurecimento, deformidades e rachaduras.

Por este motivo, talvez não seja o produto desinfetante mais indicado para certos equipamentos de mergulho. Além disso, o álcool é inflamável e não deve ser utilizado próximo a fontes de calor e na presença de gás comprimido, mas principalmente misturas de ar enriquecido.

É importante salientar que para possuir ação germicida o álcool etílico precisa estar diluído em água numa concentração de 70%, uma vez que, a água facilita a entrada de álcool no interior do microorganismo e diminui sua evaporação aumentando seu tempo de ação. Concentrações entre 60 e 80% também são efetivas, mas acima ou abaixo destas medidas tem eficácia reduzida.

 
Ácido Peracético.

Princípio ativo: Mistura em equilíbrio de peróxido de hidrogênio, ácido acético e água;

Diluição:

Diluição recomendada pela ANVISA para SARS CoV-2 é de 0,5%. É efetivo na presença de matéria orgânica, mas instável principalmente quando diluído. O período de exposição do ácido Peracético para desinfecção efetiva é rápido, diminuindo assim o contato do material com o produto e aumentando a vida útil dos artigos.

Compatibilidade com Equipamentos:

O ácido peracético com pH mais próximo a neutralidade, é compatível com borracha, Teflon, Viton e silicone; policarbonato, polietileno, aço inoxidável, alumínio bruto, poliuretano, PVC.

É corrosivo e incompatível com cobre, latão, ferro, aço galvanizado e titânio.

 
Hipoclorito de Sódio.

Princípio ativo: Hipoclorito de Sódio, também conhecido como água sanitária ou cloro;

Modo de uso / diluição:

Indicação de uso em concentrações de 0,1% a 0,5%, portanto, para uso da concentração máxima, pode-se diluir a água sanitária a 2% (uma parte para três de água), e quando a 2,5% (uma parte para quatro de água), mas deve ser totalmente enxaguado depois. O produto é instável após a diluição e pode ser desativado pela luz, recomendando-se assim, a sua utilização imediata após a diluição. Não misturar com outros produtos, pois reage com muitas substâncias químicas.

Compatibilidade com Equipamentos:

Pode causar oxidação de metais e danos em componentes de plástico (não tecnopolímeros), ou com alguns tipos especiais de banho cromado. Pouco compatível com silicone e borracha. O uso sem enxágue imediato descolore tecidos de roupas e material de coletes.

 

Peróxido de Hidrogênio.

Princípio ativo: Peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada;

Modo de uso/diluição:

Para uso na concentração recomendada de 0,5% a diluição varia de acordo com a concentração do produto bruto. Deve ser manipulado com uso de EPI’s.

Compatibilidade com Equipamentos:

Poderoso agente oxidante, sendo contraindicado para uso com cobre, latão, zinco e alumínio. Na concentração de 0,5% é compatível com a maioria dos componentes encontrados nos diversos equipamentos de mergulho existentes, exceto roupas úmidas de neoprene. Pode descolorir tecidos em concentrações mais altas.

 

Compostos de Amônia Quaternária (CAQ)

Há uma grande variedade de produtos classificados como quaternários de amônio, os quais são amplamente empregados na indústria de cosméticos, farmacêutica e domésticos sanitária. Podem causar irritação de pele e das vias respiratórias, além de sensibilização dérmica, mas não são corrosivos para metais. Os trabalhadores que se expõem constantemente aos produtos devem ser apropriadamente protegidos pelo potencial de hipersensibilidade.

Podem se tornar inativos na presença de matéria orgânica, por sabão e tensoativos aniônicos. Entre os inúmeros produtos deste grupo destacam-se para desinfecção de material de mergulho o Steramine® e o Simple Green®, por já serem comumente indicados por alguns fabricantes em situações diversas como, por exemplo, inundações e contaminação por águas poluídas

 
Steramine®.

Princípio ativo: É um Surfactante Catiônico à base de Amônio Quaternário;

Compatibilidade com Equipamentos: Não corrosiva para os metais, não mancha e inodora. São comumente utilizados na indústria de mergulho para sanitização de equipamentos.

 
Simple Green®.

Princípio ativo: Fungicida, bactericida e virucida, desinfetante à base de Cloreto Dimetil Amônio de 5ª geração;

Compatibilidade com Equipamentos: O fabricante possui 10 rótulos da marca para diferentes aplicações, sendo que o “Pro 5” seria mais indicado para descontaminação de roupas que foram utilizadas em locais contaminados e poluídos.

 

*A toxidade humana, agressão ao meio ambiente de cada produto, lista completa e perigo de misturas dos mesmos, se encontram detalhadas no artigo original.

 

 Autores:

Juliano Figueiredo S. Alves – Enfermeiro, especialista em urgência / emergência e APH; SubTenente do CBMMG; Instrutor SOBRASA; Instrutor Trainer NAUI / DAN / ASHI.

Miguel Lopes – Master Techinician Aqua Lung.

Roberto Parola – Empresário e Instrutor de Mergulho.

Rogério Menezes – Instrutor de mergulho técnico e responsável pelo MARES LAB Brasil.

Vagner Marretti – Instrutor de mergulho técnico, especialista em equipamentos autorizado Dive Rite.

Viviane Bittencourt – Médica nefropediatra e mergulhadora.

https://www.brasilmergulho.com/mergulhando-com-seguranca-pos-covid/

domingo, 16 de agosto de 2020

 O Stress e o Mergulho, da Flutuabilidade a Doença Descompressiva. Uma Revisão Bibliográfica.

 

Como mergulhadores somos expostos a situações e ambientes diversos que essa pratica engloba, normalmente experimentamos vários níveis e naturezas de fatores estressantes e suas consequências em nossa fisiologia. Em outras palavras, o stress está presente na maior parte de nossas experiências, não só de mergulho como de nosso cotidiano em si, desencadeando respostas boas e ruins em nosso comportamento como resposta a todas as situações que nos encontremos.

O estresse é o maior causador de situações de resgate e acidentes de mergulho. Emergências são geralmente o resultado de uma somatória de pequenos erros, e não um grande erro.

Reconhecer o estresse e lidar com ele no estágio inicial é um componente crítico na prevenção de acidentes de mergulho.

 

Tipos de Stress

O Stress, inicialmente descrito por Selye (1947), é um estado produzido dentro do organismo, sujeito a um estímulo conhecido como estressor (ameaça), ou como um “estado” produzido por uma síndrome específica (Síndrome de Adaptação Geral – SAG), incluindo mudanças dentro do sistema biológico.

Cada um tem uma tolerância diferente ao estresse, que dessa maneira pode ser positivo ou negativo. De acordo com Georgia Witkin- Lanoil, seja o estresse positivo ou negativo, ele é determinado por três fatores:

1.     Seu senso de escolha: Um desafio, quando desejado, é um estímulo. O estímulo é o motivo da excitação ou aventura. Ou, no caso de alguém aceitar um desafio produtivo, ele facilita a sensação de trabalhar melhor sob pressão. As exigências que não são escolhidas criam pressão indesejada e estresse negativo.

2.     Seu grau de controle: à medida que seu controle real ou percebido sobre uma situação diminui, seu estresse real ou percebido aumenta.

3.     Sua capacidade de antecipar as consequências: Adaptação e ajuste são mais difíceis quando as exigências e os resultados não são previsíveis. O inesperado e desconhecido cria estresse negativo.

 

O aumento do Stress, pode resultar num desempenho enfraquecido, devido ao número de mudanças fisiológicas e físicas. Dois tipos de Stress, encontrados nos mergulhadores, são os estressores psicológicos e fisiológicos.

Os estressores fisiológicos são normalmente relacionados com o ambiente, equipamento e condição física. Os estressores fisiológicos do ambiente, incluem, a temperatura da água, vida marinha, visibilidade e correntes. O Stress relacionado com o equipamento, é geralmente ligado a fraca adaptação do mergulhador ao equipamento a ser usado, e/ou um equipamento em más condições. Uma ineficiente habilidade em nadar, e uma falta de condição física, podem aumentar o stress, sentido subaquaticamente pelo mergulhador.

Os estressores psicológicos, encontrados pelos mergulhadores podem ser relacionados com a falta de competência e experiência. A pressão em terra, assim como, a pressão do tempo, são estressores psicológicos comuns (Sharr, 1989,p.68). Mergulhadores também sentem Stress, com pensamentos de possíveis perigos abaixo d’água. Outros estressores psicológicos podem não ser relacionados com o mergulho, (tensão familiar, excesso de trabalho, problemas interpessoais), mas podem ter influência no momento da imersão.

 

A fisiologia do stress

O Estresse é uma resposta bem humana ao tipo de excitação e estímulo que inicia o fluxo da adrenalina. O estímulo repentino que sentimos quando amedrontados, assustados ou ameaçados é chamado de síndrome de lutar ou fugir. A resposta lutar ou fugir desenvolveu-se nos primeiros humanos como meio de sobrevivência. Foi ela quem lhes deu o senso de correr do perigo ou lutar se encurralados.

Os humanos modernos têm uma resposta de lutar ou fugir altamente desenvolvida. Alguns de nós podem ter sentido uma descarga de adrenalina antes de fazer alguma coisa que não colocasse sua vida em risco, como por exemplo, pedir um aumento.

Wilson e Schneider (1981), reportaram que o Stress pode resultar em 1.400 respostas psico – químicas no corpo (Asterita, 1985). Muitas das respostas fisiológicas do Stress, são o esforço do corpo em resistir à mudança e manter a homeostase. A maioria das respostas fisiológicas identificadas, ocorrem no sistema nervoso autonômico, com mudanças nas respostas endócrinas.

 A resposta fisiológica mais comum ao Stress, inclui o aumento da pressão arterial, aumento do fluxo sanguíneo para ativar os músculos, diminuição do fluxo sanguíneo para os órgãos que não estão diretamente ligados ao assunto Stress, aumento das taxas do metabolismo celular, aumento da concentração da glicose sanguínea, aumento da metabolização da glicose nos músculos, aumento da energia muscular, aumento da atividade mental e aumento da coagulação sanguínea (Allen, 1986).

Sob condições normais, estas respostas ao Stress podem levar a efeitos positivos no mergulhador, aumentando a resposta física numa situação de perigo. No entanto, com o aumento do Stress, as respostas fisiológicas podem progredir para uma síndrome de pânico psicológico, resultando numa hiperventilação, tensão excessiva dos músculos e câimbra, aumento excessivo dos batimentos cardíacos e dificuldades respiratórias – que representam um estado negativo e destrutivo (Sharr, 1989, p. 66).

Como anteriormente mencionado, os dois degraus fisiológicos principais afetados pelo Stress são, o sistema nervoso autonômico e o sistema neuro – endócrino. O estímulo simpatético (Sist. Nerv. Aut.) do coração resulta no aumento do ritmo cardíaco, contrações vigorosas e metabolismo celular miocardial.

A vasoconstrição periférica, resultante do estímulo simpatético, redireciona o sangue para fora da periferia, proporcionando um aumento na circulação, para funções centrais do corpo (talvez este seja um relevante tipo I de D.D nas articulações e pele). No entanto, dentro do sistema respiratório, os efeitos resultantes do sistema nervoso simpatético, incluem a dilatação dos brônquios e a constrição dos vasos sanguíneos locais. Os efeitos acumulativos no aumento do ritmo cardíaco, dilatação dos brônquios e a constrição dos vasos sanguíneos locais (Pulmão), potencialmente diminuem a eficiência dos pulmões, em remover as bolhas de nitrogênio.

Podemos ver o impacto que o Stress tem nos parâmetros fisiológicos, revelando que diversos mecanismos de controle homeostático são afetados. Quando combinados, com os estresses normais do mergulho, uma diferença nesses mecanismos de controle, pode resultar no aumento da disposição do mergulhador, em ter uma doença descompressiva.

 

Sinais de alerta do stress

Alguns sintomas fisiológicos, podem incluir, a hiperventilação, pupilas dilatadas e tensão muscular. Podemos ainda citar, a irritabilidade, erros mentais simples, negligência, esquecimento, falta de vontade em completar as tarefas de preparação da imersão (Crotts, 1994).

Entre os primeiros sinais de alerta, estão: calor ou rubor, respiração ofegante, enjoo ou náusea, batimentos rápidos, transpiração e tensão muscular.

Estes sinais ocorrem por instinto. Quando os sinais aparecerem, pare e pense. Identifique a origem.

 

Prevenção do stress

Depois do estresse inicial se instalar, normalmente existe uma sequência comum de eventos que acontecem antes da instalação do pânico. Ao estar consciente destes eventos, começa a entender como o estresse pode evoluir para o pânico e como pará-lo.

Ele começa com um número qualquer de fatores estressantes que aumentam o consumo de energia do mergulhador. O crescente consumo de energia leva a um aumento nas frequências respiratória e cardíaca. Esse aumento nas taxas de energia/respiração/coração causa ansiedade quando combinado com o fator estressante original. Isso é conhecido como ciclo psicorrespiratório.

Se um fator estressante como uma corrente forte estiver presente, a ocorrência inesperada de um fator estressante adicional, como o aparecimento de um animal perigoso pode acelerar mais ainda a frequência respiratória até que o mergulhador sofra de uma acumulação de dióxido de carbono. Se o ciclo continuar, pode acontecer a hiperventilação, fazendo com que o mergulhador sinta como se estivesse sufocando, o que embaixo d'água quase sempre pode resultar em pânico ou no mínimo em uma perigosa corrida para a superfície.Uma subida sem controle pode resultar em doença descompressiva e/ou a um barotrauma pulmonar.

Cabe salientar que, as modificações da frequência respiratória e da dinâmica da mesma, levam a alterações da flutuabilidade antes estabelecida, pela variação de volume dos pulmões e por consequência do tórax. Essa modificação se torna mais um fator  estressante perante um cenário que também se retroalimenta. O estresse modifica a respiração, que leva a modificação da flutuabilidade, que aumenta assim o estresse.   

Ao estar ciente do ciclo, pode interrompê-lo a qualquer momento.

Simplesmente pare, descanse, avalie as causas e tome as atitudes para aliviá-las.

1.     Pare 2. Respire 3. Pense 4. Aja

 


 

Se for algo que não pode controlar, aborte o mergulho. Respirando profundamente e relaxando, pode retomar o controle da respiração e interromper o ciclo psicorrespiratório.

 

 1 - Lidando com o Stress antes do mergulho:

Fazer um Bom Planejamento de Mergulho:

  • Discuta os objetivos do mergulho.
  • Defina e concorde com os parâmetros do mergulho: profundidade, tempo de fundo, navegação, etc.
  • Discuta o histórico de treinamento e desempenho de habilidades.
  • Saiba como o equipamento do seu dupla funciona.
  • Planeje problemas ou mudanças: seja flexível e altere o planejamento conforme necessário.
  • Realize uma verificação completa antes de mergulhar.

 

2 - Lidando com o Stress durante o mergulho:

Use os Métodos Mais Fáceis de Entrada e Descida:

  • Use os métodos mais seguros e fáceis.
  • Siga as instruções dos profissionais de mergulho.
  • Equalize cedo e frequentemente.
  • Use referências visuais para subidas e descidas.


Monitore os Instrumentos:

  • Preste atenção à profundidade e consumo de gás.
  • Fique dentro dos limites não descompressivo.
  • Sempre retorne à superfície com uma reserva de gás respirável.


Fique atento ao Estresse Físico e Monitore as Limitações:

  • Conheça seus limites pessoais.
  • Reavalie sua condição com frequência durante o mergulho.
  • Evite ficar fatigado.

 

Mantenha Contato Constante com o seu Dupla:

  • Esteja sempre ciente da localização e condição do seu dupla.
  • Deixe-os saber que você está prestando atenção.
  • Monitore os padrões de respiração dos mergulhadores.
  • Imediatamente avise sobre quaisquer condições estressantes.

 

3 - Lidando com o Stress na fase final do mergulho:

Planeje Terminar seu Mergulho com 50 bar:

  • Preste atenção à profundidade e consumo de gás.
  • Sempre retorne à superfície com uma reserva de gás respirável.


Controle as suas Subidas:

  • Mergulhadores em pânico subirão o mais rápido possível.
  • Se o seu dupla está subindo rápido demais, entre em contato e diminua a velocidade de subida.
  • A garantia física pode ser tudo que precisa.


Pare aos 5 Metros por 3 a 5 minutos:

  • Sempre inclua uma parada de segurança.


Elimine qualquer Equipamento que Esteja Criando Arrasto:

  • O equipamento pode ser a razão pela qual um mergulhador fica estressado.
  • A remoção do equipamento reduzirá o arrasto e o esforço.
  • Perder equipamentos é melhor do que arriscar uma situação de pânico ou lesão.


Mantenha Flutuabilidade Positiva na Superfície:

  • Estabeleça flutuabilidade positiva para você e seu dupla.
  • Use o snorkel ou regulador, se necessário.
  • Mantenha contato com seu dupla.


Use o Método mais Fácil de Saída:

  • Saia da água usando o método mais fácil e seguro disponível.
  • Mantenha todos os seus equipamentos no lugar, a menos que seja instruído de outra forma.

 

Conclusão

O Stress pode ter efeitos positivos e negativos nos mergulhadores. Cada pessoa tem uma resposta diferente ao Stress. Os mergulhadores encontram o Stress, como resultado do ambiente, fatores físicos e/ou psicológicos.

Qualquer resposta fisiológica ao Stress, resultante dos mecanismos de controle homeostáticos, podem render ao mergulhador mais susceptível, uma doença descompressiva.

Uma pesquisa maior é necessária, para documentar estratégicas dos mergulhadores e a possível relação, entre causa/efeito do Stress, e a Doença Descompressiva.

Com a evolução de seus mergulhos, assim como de seus ambientes de mergulho, planeje realizar um Curso de Especialidade Diver Stress & Rescue. Você se sentira mais confiante e transmitirá essa confiança ao seu Dupla e a todos da equipe, fator que diminuirá em muito os gatilhos de stress citados durante todo o texto.



 

Referencia Bibliográfica:

- Curso de Especialidade Diver Stress & Rescue; SSI (Scuba Schools International).

- Revista Eletrônica Brasil Mergulho, artigo de medicina hiperbárica, “ Stress e doença descompressiva estão relacionados?”.

Escrito por Carlos Nelli Borges: Master Scuba Instructor pela PADI, Instrutor de Rebreather pela TDI (E.1211.I) e Instrutor Trainer Rebreather pela RAB (BR-133-02/98), possuindo mais de 1.200 mergulhos com rebreathers.



Por: Julio Cesar Dinardi.


sábado, 28 de março de 2020


O que podemos fazer em casa pelo bem do nosso mergulho?

Nesse período de quarentena que nos encontramos, alem de estudar a teoria que é de grande valia, rever vídeos de habilidades como um recurso de treino ou ensaio mental, e fazer as manutenções acessíveis em nossos equipamentos, o que mais podemos fazer pelo nosso mergulho enquanto não podemos mergulhar? Confira nossas dicas!
Como estamos impossibilitados no momento de realizar a nossa atividade específica, que é o ato de mergulhar propriamente dito, podemos enfatizar nesse período que ficamos em casa, os treinos auxiliares.
O treino auxiliar como o nome sugere, é uma série de exercícios que buscam dar suporte a atividade principal tornando-a mais eficiente, seja em termos de qualidade de execução, equilíbrio, amplitude, estabilização, entre outras capacidades que juntas melhoram a atividade como um todo.
Aproveitando o tempo que temos no momento com exercícios simples e básicos, podemos ter um ganho em alguns quesitos que normalmente não trabalhamos em separado a atividade de mergulho, como força isométrica que envolve sustentação, e exercícios aeróbios. Tudo, é claro, dentro do recomendado para o momento ao qual passamos.
A melhoria na capacidade de sustentação isométrica, se reflete diretamente na postura e no conforto durante os mergulhos. Já a capacidade aeróbica, atua diretamente alterando o consumo de gás, acumulo de Co2, capacidade de deslocamento entre outros benefícios.

Especificamente, o que podemos fazer?

Refletindo primeiro sobre os exercícios estruturais, que buscam melhorar as capacidades de fortalecimento, equilíbrio, coordenação, lateralidade entre outras, todos os exercícios funcionais ou de pilates solo, sendo executados com qualidade e atenção, já auxiliam bastante.
Em uma operação de mergulho não apenas mergulhamos, mas às vezes carregamos cilindros, equipamentos não tão leves como de fotografia subaquática, e nos deslocamos para entrar e sair de águas profundas por laterais ou escadas de embarcação ou mesmo pela costa. Tudo isso envolve força isométrica e dinâmica aplicada a uma esfera funcional.
Quando estamos submersos, os grupamentos musculares mais exigidos para uma boa posição ou postura no mergulho, conhecida como um bom TRIM, são basicamente todos da cadeia posterior; desde o pescoço, passando pela torácica, lombar, quadril e posterior de perna. Quanto mais exigido for o mergulho em relação a equipamentos que alteram a mobilidade, como roupa seca, acréscimo de peso, como o mergulho técnico, ou exigência do ambiente em manter pernadas modificadas, como caverna, naufrágios, recifes de corais próximos entre outros, aliados ao tempo de fundo, maior será a exigência da cadeia posterior em manter a sustentação isométrica ou dinâmica controlada.
Exercícios de solo muito simples podem ser feito em casa para trabalhar todo esse conjunto: cadeia dorsal, abdome e anterior e posterior de perna. Separamos alguns dos quais jugamos mais uteis para nossa atividade, porém existem vários:

1 - Dorsal curto:

- Inicie o exercício apoiando a região do quadril e abdome ao solo, e eleve o tórax e as pernas de maneira lenta e simultânea, enquanto expira. Após atingir o máximo de contração com tronco e pernas elevados em relação ao solo, retorne lenta e controladamente a posição original enquanto inspira, sem a necessidade de total relaxamento para voltar a subir. 
- Lembre-se durante todo o movimento que a coluna vertebral se inicia na base do crânio, e deve-se manter o pescoço alinhado a ela durante toda a execução. Evite o movimento de olhar para frente, mantenha a cabeça e ombros encaixados.  
- Mantenha a perna estendida e joelhos e calcanhares unidos durante todo o exercício. Mãos e cotovelos devem permanecer no mesmo nível mesmo permanecendo flexionado o braço.
- A execução da parte de isometria desse exercício pode ser feita com os braços totalmente estendidos como um “crucifixo”, para maximizar a solicitação da região escapular e assim sua sustentação.






2 – “Super-homem”


 - O super-homem é uma variação do exercício dorsal curto, porém com os braços estendidos à cima do tronco paralelos a cabeça.

- Seguem as mesmas recomendações de execução do exercício anterior.



3 – “Anjo de neve inverso”

- Nesse exercício, a posição inicial do tronco, pernas e cabeça é idêntica aos exercícios anteriores. A diferença é que as pernas tendem a se manter em contato com solo enquanto o tronco se eleva e se mantem assim durante a execução.
- Com o tronco menos ou mais elevado, dependendo da sua condição e conforto, e as pernas totalmente estendidas e unidas, movimente os braços estendidos e com a palma das mãos voltadas para baixo, de maneira lenta e simultânea, da lateral do quadril a da cabeça, dependendo do que sua amplitude permite realizar com qualidade. Faça como se quisesse desenhar um anjo na neve, como o nome sugere.



4 – “Ponte”

- Neste exercício, deite com as costas ao solo, braços estendidos ao lado do corpo, pernas flexionadas com joelhos e pés alinhados entre si e também a continuidade em relação ao quadril.
- Os pés devem permanecer paralelos e próximos ao quadril, e os joelhos se mantendo a mesma distância durante toda a execução, sem se afastar ou se aproximar.
- Simplesmente eleve o quadril enquanto expira, de maneira lenta e controlada, e retorne à posição inicial enquanto inspira, sem a necessidade de total relaxamento para voltar a elevar o quadril.
- Ao final da série permaneça em isometria com o quadril elevado mantendo respirações profundas.





5 – “Cadeirinha”

- Esse exercício consiste em procurar um bom ponto de apoio, como uma parede, onde possa estabilizar toda sua coluna. Flexione os joelhos em um ângulo próximo a 45 graus, como se estivesse sentado em uma “cadeira invisível”, e assim permaneça em isometria com respirações profundas, ou executando movimentos de sentar e levantar de maneira lenta e controlada.
- Os joelhos e pés devem permanecer alinhados entre si e também a continuidade em relação ao quadril. Não afaste ou aproxime os joelhos em momento algum durante a execução do exercício.
- Os braços podem permanecer estendidos ao lado do corpo, ou a frente alinhados aos ombros, o que incrementa a dificuldade do exercício.
- Se executar o exercício de maneira dinâmica, inspire enquanto desce o quadril e expire enquanto o eleva.





6 – “Prancha”

- Com o tronco voltado ao solo, pernas bem estendidas, cabeça bem encaixada e alinhada a coluna, flexione os braços de maneira que se mantenham alinhados aos ombros, antebraços paralelos e apoiados ao solo, com as palmas das mãos voltadas para baixo, formando o apoio do corpo junto aos pés.
- Mantenha-se em isometria com respirações profundas e mantendo pernas bem estendidas e cabeça alinhada, sem “olhar para frente”.




7 – “Prancha Lateral”

- Na mesma lógica do exercício anterior, mantenha as pernas bem contraídas e estendidas e cabeça alinhada a coluna, mas agora com o tronco e quadril perpendicular ao solo e com o apoio de um dos antebraços e um dos pés.
- Mantenha-se em isometria com respirações profundas, com quadril elevado em relação ao solo e em sua continuidade em relação ao tronco.
- As pernas podem permanecer unidas ou afastadas incrementando assim a dificuldade do exercício, porem com as duas estendidas.
- Após terminada cada série, inverta o lado de execução.





Orientações gerais sobre a série de fortalecimento:


- É recomendável que pare na última repetição de cada série, no momento de maior contração muscular específica do exercício, e permaneça e isometria contando respirações profundas. 
- Faça um número de repetições e posteriormente de séries que consiga manter a qualidade de movimento, seguindo as orientações acima. Conte quantas repetições foram possíveis, o tempo de recuperação necessário entre as séries para criar uma sequência que tenha qualidade a você. Com o tempo e mantendo a qualidade das execuções tente ir aumentando as repetições e séries e diminuindo o intervalo entre as séries e exercícios.
- Faça sempre movimentos controlados e conscientes, sem impulsos ou exageros. Explore toda a sua amplitude mantendo o controle do movimento o tempo todo, isso desenvolverá força angular em amplitudes articulares menos solicitadas durante nossa rotina.
- Expire sempre na fase de contração dos grupamentos musculares objetivados. Solte o ar continuamente contraindo abdome, levando o “umbigo para dentro”, e glúteo. Fazendo isso solicitamos musculaturas profundas responsáveis pela sustentação e estabilização lombar e abdominal.
- Não realize exercícios que gerem dor articular, muscular exagerada, formigamento ou qualquer outro sinal de compressão neural. No caso de dúvida procure um profissional da fisioterapia e/ou educação física para lhe orientar.


Sobre a melhoria da capacidade cardiorrespiratória, qualquer exercício aeróbio na intensidade ou zona de treino correta atinge o objetivo.
Nesse período em que nos encontramos, onde a recomendação é evitar sair de casa, o mais prático acaba sendo uma esteira para corrida e caminhada, um rolo para prática do pedal indoor, e para quem tem uma piscina de uso não comunitário melhor ainda.
Na natação, além do fortalecimento dos grupos musculares envolvidos com a respiração em um ambiente de maior pressão, temos a possibilidade de treinar o bloqueio respiratório, com séries mais ou menos exigentes, como R3 ou 3 para 1, onde se faz 1 respiração para cada 3 braçadas ao invés de a cada 2 como normalmente fazemos. Com a progressão podemos avançar para R4, R5, R6 e R7, que atuam como momentos de apneia dinâmica, contribuindo nessa capacidade útil ao mergulho, em qualquer uma de suas modalidades.


Recomendações gerais sobre o treino aeróbio.

- Seguem as mesmas recomendações no treino aeróbio que foram citadas aos exercícios de força; não realizem exercícios com dor, tontura, falta de ar, ou qualquer tipo de desconforto excessivo.
- Procure orientação médica caso tenha dúvidas ou não tenha seus exames de rotina em dia. Para maior orientação sobre zonas ou intensidade de treino consulte um profissional da área de educação física.
- Nesse período, pratique exercício aeróbio de maneira moderada:
- Segundo o jornal do American College of Sports Medicine;
            “O exercício, quando praticado com regularidade e num ritmo moderado, diminui as chances da pessoa ter infecções, fortalecem o organismo e os sistemas de defesa. Mas exagerar nos treinos e ultrapassar os limites pode causar o efeito contrário.
Atletas que fazem treinos muito puxados e desgastantes estão mais suscetíveis a gripes e problemas respiratórios.  A prática de exercícios e treinamentos intensos, onde não há uma recuperação adequada pode provocar depressão do sistema imunológico, tornando-o mais susceptível a processos infecciosos, como gripes”.

Igualmente fica a nossa recomendação para uma alimentação de qualidade e não exagero de bebidas alcoólicas. A proposta de ficarmos em casa é em prol da nossa saúde e não a destruição da mesma. Se faz muito necessário estar bem em um quadro geral, para passarmos por essa fase com um pouco mais de segurança. Quando essa crise passar, a melhor coisa será estar em forma para aproveitar nossos mergulhos, sem maiores desconfortos ou ter que correr atrás de um longo tempo perdido. Vamos fazer o básico por nós mesmos. Vamos nos cuidar!

Por: Julio Cesar Dinardi.


Referencias: